31/03/2012

[ Bordallo Pinheiro convida artistas brasileiros para criação de peças inéditas ]

(Portugal)

fonte: http://www.publico.pt/Cultura/bordallo-pinheiro-convida-artistas-brasileiros-para-criacao-de-pecas-ineditas-1514900

03.10.2011 - 16:55 Por Cláudia Carvalho

A conhecida fábrica centenária de faianças, Bordallo Pinheiro, desafiou 16 artistas brasileiros para criarem peças originais inspiradas na obra de Rafael Bordallo Pinheiro (1846-1905), fundador da empresa. O objectivo é levar o nome da fábrica para o Brasil, através da comercialização da colecção limitada desenhada pelos artistas e de uma exposição em São Paulo. O mesmo acontecerá em Lisboa.



“16 BB – Bordallianos do Brasil” é o nome do projecto artístico luso-brasileiro, que trará à fábrica das Caldas da Rainha, até Março de 2012, os 16 artistas plásticos brasileiros, que passarão dez dias em Portugal, de forma a ficarem familiarizados com o modo de fabrico das peças da marca, as várias técnicas utilizadas, assim como toda a história da fábrica. No total serão 16 peças únicas, limitadas a 250 exemplares para comercialização (125 exemplares destinados ao mercado português e outras 125 peças para o Brasil).

“2012 será o ano da internacionalização da marca no mercado brasileiro e por isso faz sentido lançarmos este projecto”, disse ao PÚBLICO, Nuno Barra, director de marketing da Bordallo Pinheiro, explicando que é objectivo da fábrica lançar todos os anos uma campanha com artistas e países com quem Broldallo Pinheiro tinha uma relação mais directa.

O pintor Caetano de Almeida, que vive e trabalha em São Paulo, será o primeiro a dar início ao projecto artístico, estando já em Portugal para conhecer a empresa. Mas não só da pintura se fará o projecto, que pretende apresentar peças das várias áreas artísticas, da pintura à escultura, passando pela moda e fotografia. Depois de Caetano de Almeida, seguem-se Saint Clair Cemin (escultura), Barrão (pintura, escultura, multimédia), Tunga (escultura e desenho), Regina Silveira (vídeo-arte), Efrain de Almeida (escultura), Fábio Carvalho (objecto, fotografia, desenho, assemblage, multimédia) , Frida Baranek (escultura), Marcos Chaves (fotografia e vídeo), Sérgio Romagnolo (pintura, escultura), Tonico Auad (desenho, instalação e fotografia), Tiago Carneiro da Cunha (pintura e escultura), Erika Versutti (escultura), Estela Sokol (pintura) e as estilistas Isabel Capeto e Martha Medeiros. A regra é simples: um artista, uma peça, uma reinterpretação contemporânea do legado deixado por Bordallo Pinheiro.

“Rafael Bordallo Pinheiro tinha uma ligação ímpar com o Brasil, onde viveu anos antes de criar as Faianças Bordallo Pinheiro, fundando diversos projectos jornalísticos e culturais. Sentimos, ao lançar o convite a estes 16 artistas contemporâneos brasileiros, que este seria, indiscutivelmente um projecto com o qual Rafael se identificaria”, acrescenta, em comunicado, Nuno Barra, lembrando que Bordallo Pinheiro deixou, há mais de cem anos, a “Jarra Beethoven”, uma peça com 2,60 metros de altura, exemplar único e considerado o mais emblemático da marca, que o artista ofereceu à Presidência da República do Brasil, em 1899, e que está exposta actualmente no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

À semelhança do que aconteceu em Março, num projecto semelhante, onde a Fábrica Bordallo Pinheiro apresentou sete peças originais no Museu do Design e da Moda, em Lisboa, estas peças inéditas serão lançadas no final de 2012 em duas exposições, uma em Lisboa e outra em São Paulo, em espaços ainda a definir.

Para os interessados na compra, em Portugal as peças vão estar disponíveis nas lojas da Vista Alegre e da Bordallo Pinheiro, enquanto no Brasil vão ser comercializadas em galerias de arte.

A Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha foi fundada em 1884 com o propósito de revitalizar as artes tradicionais da cerâmica, cruzando-as com a modernidade de diversos estilos que anunciavam o futuro e com a originalidade e irreverência do seu criador, Rafael Bordallo Pinheiro. Esteve para encerrar há dois anos por dificuldades financeiras, tendo sido depois adquirida pela Visabeira Indústria.

30/03/2012

[ Cine Lage: Machado ]

(Rio de Janeiro)

Cine Lage mostra vídeos de Milton Machado em conjunto com lançamento da Revista Arte & Ensaios na EAV Parque Lage

A partir das 19h, haverá o lançamento do número 23 da revista “Arte & Ensaios” – do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes/UFRJ.

Às 20h, tem Cine Lage ao ar livre, ao redor da piscina e com uma programação única de vídeos e filmes, que não é exibida no circuito comercial. Desta vez, dez curtas serão apresentados em 1 sessão de cerca de 1h15minutos. Nesta edição, Milton Machado – importante artista da cena carioca, provocador e instigante - mostrará sua videografia.

Escola de Artes Visuais do Parque Lage
Rua Jardim Botânico, 414, Rio de Janeiro

http://www.eavparquelage.rj.gov.br


Programação do Cine Lage:

1-História do Futuro, 2010 - 10'30''
Com Simone Cupello, edição/ Rodolfo Caesar, trilha sonora/ Antonio José de Oliveira, câmera
Sinopse: desenhos, esculturas, textos, fotografias e vídeo fazem parte desta história, que teve sua estréia na 29ª Bienal Internacional de São Paulo, 2010

2- Edifício-Galaxie, sobre a mobilidade, 1994 - 1.5'
Com Fabio CARVALHO, computação gráfica/ produção independente do artista/ Betacam, cor, loop com sequências de módulos de 1.5'
Nova versão 2003
Com Rodolfo CAESAR, música/ Larissa PSCHETZ, edição
Sinopse: as fotos originais foram tiradas em 1975, ano de fabricação do carro e da recente inauguração do edifício. Naqueles tempos, esses dois objetos de luxo – um Ford Galaxie verde metálico novo em folha e um endereço na Avenida Vieira Souto em Ipanema – complementavam-se como sinais aparentes de status e mobilidade social.

3- Convergências, 2004 - 2’27”
Produção independente do artista
Com Larissa Pschetz, computação gráfica/ Alexandre Fenerich, música
Sinopse: Convergencias (1991) é título de livro escrito por Octavio Paz. Convergência (1970) é título de obra escrita por Murilo Mendes. Em Convergências, no capítulo Intersecciones y bifurcaciones, Octavio Paz escreve sobre Valéry Larbaud e Murilo Mendes. Convergências, o vídeo (2005), é um quase-poema audio-visual feito com permutações das sílabas do nome Octavio Paz. Fez parte da exposição comemorativa dos 10 anos do Centro de Estudos Murilo Mendes.

4- As Férias do Investigador (Vacations of a Private Eye), 1994 - 17’
Com Arthur OMAR, diretor/ Milton MACHADO, objetos, esculturas, personagens e conceitos/ Produção RioArte e Magnetoscópio, Rio de Janeiro 1994
Betacam, cor
Sinpse: Produção da Rioarte e Magnetoscópio em ocasião da exposição. Apresenta objetos, esculturas, personagens e conceitos por Milton Machado.

5-Prince, 2008 - 1'42''
Produção independente do artista
Com Luiz Nogueira
Sinopse: 6 fotografias registram o deslocamento do artista, muito lentamente, diante da vitrine de uma galeria de arte em Nova York. No vidro, percebeu o reflexo de um imenso outdoor, erguido em frente à galeria, reproduzindo um trabalho muito conhecido de Richard Prince: uma imagem de propaganda de cigarros Marlboro, originalmente contendo as palavras Welcome to the Marlboro Country. A intervenção de Richard Prince consiste em eliminar essas palavras, sem qualquer interferência na imagem. As 6 fotografias de Prince mostra essa corrida fantasmagórica, que não termina jamais.

6-Pintura, 2009- 2'33''
Com Cacá Vicalvi/ parte da exposição PRODUÇÃO
Galeria Nara Roesler, São Paulo
Sinopse: a locação é uma cabine de pintura líquida, fábrica SECURIT, São Paulo. Ao fundo, uma parede metálica recoberta de graxa, sobre a qual escorre, durante todo o processo de pintura, uma cortina de água corrente. A função desta “cascata” é recolher resíduos de tinta do ar – aplicada com pistola acionada por compressor – que são conduzidos a um reservatório, localizado no exterior do edifício, onde são separados da água por decantação. O vídeo registra, com câmera fixa e centralizada, o cenário no qual ocorrem, regular e cotidianamente, os processos de pintura de diversos produtos da fábrica.

7-Rear Mirror, 2009 - 10''
Animação sobre fotografia/ loop, duração variável
Sinopse: OBJECTS IN MIRROR ARE CLOSER THAN THEY APPEAR
CLOSER THAN MIRROR ARE OBJECTS THEY APPEAR IN

8-Vermelho, 2009 - 6'50'
Com Cacá Vicalvi/ parte da exposição PRODUÇÃO
Galeria Nara Roesler, São Paulo
Sinopse: “essa placa vermelha é suspeita e espiã. Fake: todo objeto que penetre esse túnel de lavagem, secagem e pintura industrial é necessariamente desprovido de cor, senão a do próprio metal. É justamente esta a função do túnel: conferir aos objetos sua cor destinatária e funcional. Esta placa já-vermelha, não fosse sua apropriação indébita por esse processo esdrúxulo de PRODUÇÃO, deveria funcionar como a lateral de um móvel, de um armário, arquivo, gaveteiro. Aqui, invadindo e revisitando um lugar por que passou e ao qual não deveria retornar, funciona como uma espécie de olheiro (espião), um agente fiscal da PRODUÇÃO”.

9-Homem Muito Abrangente, 2002 - 9’
Cacá VICALVI, diretor/ Milton Machado, performance e instalação in Territórios
Instituto Tomie Ohtake, São Paulo
Produção Documenta, 2002
Betacam, cor
Sinopse: homem muito abrangente é híbrido, impuro. Sempre além dos limites, é o mais puro exterior.

10-Veronica, 2007 - 3'42''
Laura MAGALHÃES, diretora
Betacam, cor
Sinopse: video sobre intervenção do artista, no evento 7 Passos da Paixão, em Santa Teresa, Rio de Janeiro, 2007

[ Afinidades (a escolha do artista) ]

(Rio de Janeiro)

A Caza Arte Contemporânea apresenta Afinidades (a escolha do artista). Com organização do artista plástico Fábio Carvalho, a exposição coletiva conta com dez artistas participantes (seis brasileiros e quatro portugueses). Conduzido pelo afeto, Fábio Carvalho produz um recorte muito particular sobre o universo (artístico) que o circunda. O público pode conferir a exposição a partir do dia 07 de março.



Chancelando uma espécie de curadoria afetiva, o artista plástico Fábio Carvalho, responsável pela organização da exposição, convidou artistas amigos para participarem da coletiva. Mas, para além das relações pessoais, há a afinidade estética. E é exatamente aqui que as obras se alinham e se aproximam, dependentes que são das possibilidades do sintagma ‘delicadeza’. Assim, todas as obras expostas passeiam pela ideia de delicadeza – seja afirmando sua presença ou negligenciando-a com firmeza. Seis artistas brasileiros (Clarissa Campello, Efrain Almeida, Fábio Carvalho, Fabiano Devide, Mônica Rubinho e Sidney Philocreon) e quatro portugueses (David Rosado, Rui Effe, Rute Rosas e João Lima) compõem a mostra. Afinidades tem sua abertura no dia 07 de março, às 19h, e fica na Caza Arte Contemporânea até dia 30 de março.

Clarissa Campello - O Beijo
óleo sobre tela - 140 x 80 cm - 2009
A exposição

Afinidades (a escolha do artista) partiu de um convite de Raimundo Rodriguez, diretor da galeria Caza Arte Contemporânea, ao artista plástico carioca Fábio Carvalho, para que este organizasse um projeto de ocupação da galeria com seus próprios trabalhos e de artistas convidados.

David Rosado - EvolMonkey
técnica mista s/ tela - 2009 - 140x140 cm

Fábio Carvalho, com 18 anos de carreira artística, 8 exposições individuais e mais de 60 exposições coletivas no curriculum, e que em novembro do ano passado integrou dois importantes projetos de residência artista em Portugal, o primeiro chamado “Bordallianos Brasileiros”, na Fábrica de Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro, e o segundo na tradicional Fábrica de Porcelana Vista Alegre chamado “Projecto Artistas Contemporâneos”, convidou para esta exposição cinco artistas brasileiros, e quatro portugueses. Fábio Carvalho irá retornar em abril a Portugal, para mais uma residência artística na cidade do Porto, estreitando ainda mais suas relações com aquele país, que neste ano de 2012 celebre o “Ano do Brasil em Portugal”.

Fabiano Devide - série Janelas
gouache sobre papel - 29,7 x 21 cm (cada) - 2012

Fábio Carvalho, sem necessariamente pensar em seu projeto como uma curadoria, no sentido de eleger um eixo conceitual que antecedesse a escolha dos artistas e dos trabalhos, preferiu fazer suas escolhas a partir de suas afinidades com os artistas, que aí então foram convidados para a exposição.

Fábio Carvalho - Macho Toy nº 52
reprodução de capa de livreto de fisiculturismo de 1926,
decalques florais, adesivos de borboleta - 41 x 33 cm

Talvez contagiado pelo espírito da galeria Caza Arte Contemporânea, que tem muito de uma verdadeira casa, onde o anfitrião Raimundo Rodriguez sempre recebe os artistas, suas obras e os visitantes das exposições como quem recebe os amigos em sua própria casa, Fábio Carvalho pensou a exposição como uma celebração aos amigos, ao prazer de estar junto. Os trabalhos se relacionam como num bate-papo descontraído entre amigos.

Mônica Rubinho - Série “Regular Dreams”
desenho sobre papel - 23 x 32 cm

Porém, apesar desta eleição afetiva dos artistas convidados, percebe-se um (dentre tantos outros possíveis) eixo comum nas obras selecionadas: a delicadeza, em várias formas e sentidos. Por vezes, a delicadeza é o próprio assunto do trabalho; em outras obras, a delicadeza é o anti-assunto do trabalho; elementos de delicadeza estão lá, mas num forte contraste, ou mesmo num enfrentamento, com a brutalidade, o que constrói a narrativa paradoxal apresentada. Há trabalhos em que a fatura é intensa e expressiva, mas a situação representada nos leva á percepção de intimidade e delicadeza. Há trabalhos onde a delicadeza se apresenta de imediato, mas com um pouco mais de observação, pressente-se que algo de muito errado está oculto, quase por acontecer.

Rui Effe -This is my body 1, 2 e 3
video - 2007

Este fio condutor surgiu de uma forma espontânea, natural, uma vez que não apenas em relação aos artistas, Fábio Carvalho também escolheu as obras de cada artista em função de suas afinidades, como artista e como indivíduo, com estas obras e o que estas lhe dizem.

Rute Rosas - Lava as tuas mãos nas minhas
fotografia - 25x25 cm - 2011

A Caza Arte Contemporânea

Criada há pouco mais de um ano, e localizada na Rua do Resende n°52, na Lapa - o corredor cultural carioca, a Caza Arte Contemporânea se destaca pela pouca quantidade de paredes, formando um espaço com múltiplas funções, híbrido por natureza, capaz de abrigar uma loja de objetos de arte, uma livraria, e, sobretudo, de abrigar o espaço amplo da galeria principal, juntamente com outra sala especialmente reservada para eventos audiovisuais.

A Caza é resultado do esforço e do perfil empreendedor do artista plástico Raimundo Rodriguez, que antes da Caza foi o diretor da Galeria Espaço Imaginário, também na Lapa, que durante dois anos desfrutou de atividades culturais intensas, e chegou a agrupar cerca de 350 artistas em diversas coletivas memoráveis, que aproximaram artistas das mais diversas linguagens, gerações e até mesmo países.

Sidney Philocreon - Sem Título
objeto - 2011

A Caza Arte Contemporânea surgiu com as mesmas convicções do Espaço Imaginário: revelar novos artistas e celebrar os artistas experientes, oferecendo ao público carioca a oportunidade de conhecer manifestações culturais de toda parte do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo, numa casa que sempre muda, em movimento constante, pós-moderno, sem direções preestabelecidas, itinerante.

Na Caza, o conceito de galeria é mais humanizado, torna-se intimista sem deixar de ser para todos – artistas e público, a casa acolhe, mas, também transporta. Basta entrar, sem bater.


serviço:
local: galeria Caza Arte Contemporânea
endereço: rua do Resende 52, Lapa, Rio de Janeiro abertura: 7 de março de 2012, quarta, 19/22h
até: 30 de março de 2012
horário: segunda/sexta; 14/19h
site: cazaartecontemporanea.blogspot.com